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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Pequeno Universo do Umbandista


A riqueza da Umbanda é incontestável. Essa riqueza é percebida nas liturgias, festividades, pontos cantados e tantas outras manifestações encontradas nos terreiros espalhados pelo Brasil. A imensa diversidade constitui – ou deveria constituir – um fator de enriquecimento da Umbanda enquanto religião e do umbandista enquanto ser pensante e atuante, no entanto (e paradoxalmente), esse mesmo fator tornou-se um problema que exige cautelosa reflexão, já que gera controvérsias e desentendimentos internos.

Tanto quanto o Brasil, a Umbanda apresenta diferenças regionais, e não poderia ser diferente, já que dentro de um país continental é natural e até enriquecedor que essa diversidade toda exista – e é possível notá-la até nos menores detalhes: linguagem (em alguns casos parecem surgir verdadeiros dialetos), comidas típicas, costumes, etc. O universo cultural é vasto, porém quando não compreendido, constitui um problema, e é justamente isso que ocorre quando falamos do universo do umbandista.

O fanatismo religioso não é privilégio de nenhuma seita ou denominação, podendo estar presente em todos os meios sociais, como uma viseira intelectual que impede o seu portador de olhar para os lados ou para o óbvio que descortina diante de si. Todo sectarismo é burro e todo sectário é cego e apenas repete, feito um autômato, supostas verdades que lhe foram ditadas um dia. Cada templo ou terreiro de Umbanda é único e possui a identidade de seu dirigente e também das entidades que ali atuam, por determinação do astral.

O universo da Umbanda é colossal, mas o universo do umbandista é minúsculo quando ele não se permite olhar além das quatro paredes do seu terreiro. Nessa situação ele se torna pequeno, sectário, fundamentalista e ignorante, pois despreza a possibilidade de enriquecimento do seu aprendizado, renegando tudo que não seja comum às suas práticas habituais, como se somente elas fossem verdadeiras e válidas perante a espiritualidade.

Certamente existem diferenças litúrgicas entre os milhares de terreiros de Umbanda espalhados pelo país. Um determinado ritual realizado no Sul pode, sem problema algum, encontrar diferenças de um ritual praticado do Nordeste, e nem por isso será “menos umbandista”. O umbandista que não entende isso não entende também a rica diversidade da sua religião.

Sendo assim, poderia se dizer mesmo umbandista?

A resposta, nesse caso, deve vir após uma reflexão sobre a própria postura diante da religião e diante do se apresenta como novo diante dos olhos habituados a não ver nada além das paredes do templo que freqüenta.

O advento da internet, que possibilita uma comunicação e troca de informação maior entre as pessoas de diferentes regiões revelou um fato inusitado. Através dos vários fóruns de discussão sobre Umbanda, ficou claro que o umbandista, de uma forma genérica, tem dificuldades em aceitar aquilo que não conhece. E naturalmente não existe aquele que tudo conhece, visto que a diversidade, como já foi dito, é enorme e varia de acordo com as diferentes regiões. 

Não conhecer essa diversidade em sua grandeza não é o problema. O real perigo consiste na dificuldade de aceitar aquilo que não reconhece como verdadeiro, como se apenas o seu pequeno universo fosse detentor da verdade absoluta sobre a prática da Umbanda. Tornou-se comum presenciar nos citados fóruns, a troca nada gentis de farpas entre pessoas que não defendem apenas convicções, mas sim a visão limitada que juram de pés juntos constituir a mais pura verdade sobre a religião, como se possuíssem uma procuração de Aruanda, atestando que a sua Umbanda é mais Umbanda que a do outro e tivessem autoridade para afirmar isso. Adjetivos nada polidos para quem deveria divulgar a Umbanda através do exemplo são proferidos contra irmãos-de-fé, que por não temer expor aquilo que conhecem e tomam como verdadeiro, sofrem verdadeiras humilhações e até perseguições por parte de alguns poucos que se valem da facilidade com que manipulam as palavras para agir dessa forma. Não percebe, este xiita do seu próprio terreiro, que nada mais faz do que expor a fragilidade e a limitação de seus conhecimentos, além de dar munição àqueles que tentam a todo custo denegrir a imagem da Umbanda.

Não se trata, em hipótese alguma, de defender a idéia de uma codificação da Umbanda, longe disso, mas é necessário que se estabeleça uma conduta ética, que pode (e deve) transcender a temática umbandista, partindo para a tão falada e pouco praticada lição do respeito às diversidades. Reconhecer “o outro”, em todas as suas diferenças é praticar a ética, e não temos o direito de reclamar tanto da intolerância das demais religiões se somos intolerantes com aqueles que deveríamos chamar de irmãos.

É óbvio que não devemos generalizar, mas notamos que, infelizmente, muitos umbandistas ainda estão presos ao seu pequeno universo, não aceitando sequer ouvir o que o outro umbandista tem a dizer. São pobres seres isolados em redomas de vidro que chamam de terreiros, universos que deveriam ser tão ricos, tendo em vista a bagagem cultural característica dessa manifestação espiritual, mas que tornam-se pequenos como as mentes que não conseguem enxergar além de suas paredes. A Umbanda é maior que tudo isso, maior que as mentes cegas e maior que os pequenos universos, inversamente proporcionais à prepotência daqueles que advogam verdades supostamente absolutas.


Douglas Fersa 

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Luz Crística

"Estudo, requer meditação. A meditação leva a conclusões. E as conclusões fazem com que as pessoas modifiquem os seus hábitos e suas atitudes" – Dr. Hermann (Espírito) por Altivo Pamphiro (Médium)

Positivismo

Tal como são nossos pensamentos é nossa consciência: e tal como é nossa consciência, é nossa vida.

Se plantarmos uma semente de pensamento limpo e positivo e nos concentrarmos nele, damos a ele energia, tal como o sol dá energia para uma semente na terra. E tal como a semente na terra acorda, move-se e começa a crescer, os pensamentos nos quais nos concentramos acordam, movem-se e começam a crescer.

Então, vamos semear pensamentos positivos.

A cada manhã, antes de começarmos a jornada de nosso dia, sentemo-nos em silêncio e semeemos a semente da paz.

Paz é harmonia e equilíbrio. Paz é liberdade - liberdade do peso da negatividade e do desperdício. Deixemos que a paz encontre sua morada dentro de nós. A paz é a nossa força original, nossa eterna tranquilidade de ser.]

Permita que seu primeiro pensamento do dia seja de paz. Plante essa semente.

Regue-a com atenção e você atingirá a calma.

Por Antony Strano

Obras Básicas da Doutrina Espírita - Pentateuco Espírita

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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