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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ser Espírita



Não nos apoquentemos com o fato de que não serão todos espíritas no sentido formal da palavra.

Preocupemo-nos em trabalhar para que a Humanidade seja espírita, no sentido da vivência cristã, sem que no sentido exterior o seja.

Porque o verdadeiro espírita será sempre o cristão verdadeiro, “pois que um o mesmo é que outro”.

Reproduzindo a colocação de Allan Kardec, “o Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam”.

Nosso maior desafio é a efetivação da nova sociedade, em que os valores morais e os sentimentos nobres sejam a busca constante da maioria das criaturas, independentemente de rótulos ou de ideologias exteriores.

A preocupação de muitos companheiros e companheiras em indagar se o Espiritismo será a doutrina abraçada pela maior parte de homens e mulheres denota uma preocupação da qual devemos nos despir, que é a generalização de padrões de comportamento. Não importa as naturais variações de gostos, de desejos, de rótulos  que as pessoas adotem; o mais importante é que aprendamos a nos respeitar, compreender e acima de tudo, amar aos semelhantes.

A diversidade é uma das regras naturais da vida. Deus cria incessantemente, usando da diversidade para demonstrar que a individualidade é atributo inerente a cada ser.
Preocupemo-nos em refletir, através de nosso comportamento, o que significa ser espírita.

Ser espírita é:
-- estabelecer a fraternidade como regra de convivência com nosso semelhante, independentemente de seus conceitos acerca da vida;

-- perdoar as pessoas cujas faltas nos atinjam, mesmo que utilizemos dos mecanismos sociais para sermos reparados. O fato de buscar o reconhecimento de nossos direitos não significa que estejamos odiando nosso próximo, bem como perdoá-lo não se expressa em abdicar de lutar por esses mesmos direitos;

-- sermos indulgentes para com as atitudes de outrem, que mesmo não nos atingindo diretamente, incomodam-nos. Aqui aprendemos a respeitar as minorias, as diversas “tribos” e o modo particular de cada um se comportar, mesmo discordando de tais procederes;

-- manter a gentileza como regra usual de comportamento no trato alheio;

-- não devolver as ofensas recebidas com igual conduta, aprendendo a relevar e a buscar responder dentro de um princípio de civilidade e equilíbrio;

-- comportar-se no trânsito com urbanidade e bom senso, sem disputar uma guerra com os demais motoristas, mesmo que estes demonstrem extrema imperícia;

-- respeitar e proteger a Natureza, contribuindo para a conservação de espécies e não agredindo o meio ambiente;

-- investir na sublimação de nossas relações afetivas, valorizando nossas afeições e reduzindo nossa tendência ao egocentrismo;

-- pensar mais no bem-estar das pessoas que gostamos do que em nosso próprio bem-estar;

-- cultivar amizades, colocando-nos à disposição para colaborar para com o sucesso e conforto de nossos amigos;

-- auxiliar aos irmãos do caminho, com boa vontade e alegria cristã;

-- cumprir com fidelidade nosso papel de pais, mães, cônjuges, filhos, irmãos, trabalhando incessantemente pela vitória da vida doméstica;

-- fazer mais que pedir, ouvir mais que falar, perdoar mais do que ser perdoado, e servir mais do que ser servido;

-- não desperdiçar recursos naturais, nem alimentos;

-- participar da vida da comunidade, dando contribuições importantes para a solução dos problemas da coletividade;

-- atuar em nossa profissão com absoluta honestidade, honradez, ética e sinceridade;

-- usar de nossos talentos individuais para colaborar com que a vida seja melhor para todos;

-- trabalhar por amor ao trabalho, não colocando o ganho material em primeiro lugar, mas a utilidade de nosso labor;

-- valorizar mais o ser do que o ter;

-- respeitar a crença alheia, mesmo comungando de ideais diferentes;

-- ser um indivíduo que se transforme em foco irradiador de paz, harmonia social, constituindo-se em exemplo de cidadania e respeito.

Poderíamos relacionar dezenas de itens, mas o mais essencial é que compreendamos que tais atitudes independem de rótulos exteriores.

Mesmo que envergando títulos diversos, quando os homens e mulheres adotam um comportamento digno e superior diante a vida e os semelhantes, estão sendo espíritas “de alma” e cristãos autênticos, pois o que caracteriza o verdadeiro espírita é ser o verdadeiro homem de bem, ainda que “por fora” envergue o título de ateu. Pois acima de tudo, ser essencialmente espírita é AMAR a Deus, AMAR ao próximo, AMAR a vida, AMAR a tudo e todos.

Deste modo, sim, podemos dizer que um dia todos seremos espíritas!


Fonte: LIVRO: ANUÁRIO ESPÍRITA

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Função da Dor



Deus ama a todos os Seus filhos igualmente, mas, é justamente por amar, que Ele permite a dor para que a evolução se realize.

A dor traz despertamento interior, levando o ser, em qualquer estágio evolutivo em que se encontre, a buscar corrigir em si próprio aquilo que precisa ser melhorado.

Ninguém veio a este mundo para sofrer. Contudo, se passas por momentos dolorosos ou se tens uma existência repleta de dificuldades ou de aflições, naturalmente é por resultado da tua própria imperfeição.

Deus, na Sua Onipotência e Onisciência, jamais condenaria um filho Seu ao sofrimento, apenas com o intuito de puni-lo. Ninguém em sã consciência, castigaria uma criança por ainda não saber agir como um adulto. Cada um a seu tempo e do modo que puder, conseguirá aos poucos, renovar-se para melhor e vencer as próprias fraquezas, inseguranças e outras imperfeições.

A dor é o santo remédio que o Pai da Vida, por Sua Misericórdia, a todos nós oferece para que tenhamos “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, diante das situações da vida que nos impulsionem a uma renovação de atitudes e, conseqüentemente, a um crescimento interior.

A evolução do espírito se faz de lutas, de esforço constante, de superação das dificuldades, mas também de aquisição de virtudes, a fim de que se consiga transformar em bem, o que estaria sendo um mal dentro de nós mesmos.

Não te atormentes pois, filho querido, se a vida hoje para ti se faz tão difícil! Seca as tuas lágrimas, apazigua o teu coração, reveste-te de paciência e coragem e, buscando dentro de ti mesmo uma vontade imensa de crescer, encontrarás a humildade suficiente para tudo saberes aceitar e suportar sem revolta, mas confiante de que tudo são nuvens passageiras em tua vida. Reconhecerás, com certeza, que a dor que hoje possas estar atravessando, são ensinamentos preciosos que te proporcionarão uma vida futura melhor.

Algo certamente, ainda precisas aprender. Analisa a ti mesmo e perceberás o que em ti precisa ser modificado. E, acima de tudo reconhecerás que a função maior da dor, é a de ensinar-nos a amar.

Irmã Maria do Rosário - Psicografia de Lucia Cominatto

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Em Busca de Uma Fé Racional



O tema pode parecer contraditório, pois por definição, fé ou crença é aquilo em que se acredita, enquanto, em contrapartida, a racionalidade é algo pensado, deduzido da razão.

Apesar de toda contrariedade das duas palavras, a fé racional norteia os fundamentos de religiões como a Umbanda ou de doutrinas como o Espiritismo.

Umbandistas e Espíritas acreditam que a fé não deve ser constituída de uma necessidade sem que haja uma razão para tal. É como se pelo fato de não poder ver é que não se acredita, ora, pois, não vemos o ar e ele é tão necessário para nossa vida como nossa fé o é.

Nossa fé está pautada na existência de um Deus, e isso é ponto comum a todas a religiões, porém a racionalidade que nos guia, é movida pelo sentimento de que ser racional é não estar constituído de dogmas (algo indiscutível), de coisas irracionais (que não tem explicação), e que toda criação divina está diretamente ligada ao Criador.

Assim, a fé que nos move, move também a nossa racionalidade, pois ser racional é deduzir pela razão, é discutir através de um espírito crítico à luz de uma discussão com outros sobre as mudanças de nossas idéias.

Hoje, no mundo, somos quase 7 bilhões de pessoas, com hábitos diferentes, costumes diferentes, culturas diferentes, cores diferentes e por conseqüência religiões diferentes.

Nossa religião, não deve ser considerada melhor que outras, pois nossa fé também não é, da mesma forma que nossa religião não deve ser considerada pior que as outras, pois nossa fé também não é.

A prática religiosa que temos pode ser diferente, porém nem melhor nem pior, é simplesmente pautada numa racionalidade que em via de regra deve ser respeitada como tal, e respeitar as demais religiões como estas são.

Nossa busca pela fé racional, deve ser de simplesmente observar, questionar, ponderar e vigiar, para que não sejamos objeto de pessoas mal intencionadas nem tão pouco de um fundamentalismo exacerbado.

Somos praticantes de uma religião que deve manter seu vinculo restrito entre fé e razão, pois, não temos dogmas, somos capazes de explicar e temos consciência de nossa divindade, pois somos ligados ao criador.

Por outro lado, se você insistir em argumentar que a Umbanda é uma religião dos mistérios, eu argumentarei que mesmo os mistérios da Umbanda podem não ser de conhecimento nosso, mas que existe um certo racionalismo, uma certa lógica ou uma certa coerência nestes mistérios.

Assim, peço aos irmãos que ao lerem este artigo, pratiquem sua fé dentro de uma razão, de uma coerência e dentro de uma lógica, pois, somente com este procedimento teremos como buscar uma fé racional, pautada no conhecimento, na coerência de raciocínio e de idéias, no respeito ao próximo, afastando dela os enganadores, os de índole duvidosa, os fundamentalista e principalmente aqueles que abusam da “cega” fé alheia.
  

Por Jairo Pereira Jr. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

As Colônias de Espíritos no Além



Não existem muitas diferenças entre os mundos do além e os lugares que encontramos aqui na Terra. Da mesma forma que aqui na Terra, lá você encontra lugares bonitos e lugares feios, lugares agradáveis povoados por gente boa e lugares desagradáveis povoados pela pior espécie de pessoas.

Lá do outro lado as pessoas se reúnem de acordo com suas afinidades ou vibrações. Pessoas positivas, alegres, de boas vibrações viverão em uma colônia repleta de pessoas semelhantes . Uma pessoa má, negativa e pessimista se sentirá melhor em companhia de pessoas iguais e será levada a viver numa colônia construída e administrada por pessoas semelhantes. Existem casos em que os seus sentidos só funcionam diante de pessoas que vibram igual a você. Um espírito bom e de vibrações elevadas pode ser invisível aos olhos de espíritos de baixa vibração.

E isso faz a diferença entre as diversas colônias e regiões do mundo espiritual. Não é difícil imaginar que deve haver diferenças entre um lugar criado e administrado por pessoas boas e por espírito elevado e um local administrado por pessoas ruins de espírito baixo.

Sobre todas as cidades do planeta Terra existem universos paralelos, regiões espirituais invisíveis para nossos sentidos limitados, indetectáveis a partir dos instrumentos e tecnologias que possuímos hoje. Sobre a cidade onde você mora certamente existem uma ou mais colônias habitadas por pessoas que não se encontram mais nesta dimensão onde vivemos.

As colônias são verdadeiras cidades de grande, médio ou pequeno porte. Não existe nada mágico, não é um mundo de fadas cheio de efeitos especiais. Tudo que temos aqui na Terra temos lá. Afinal de contas as cidades da Terra e as cidades do além foram construídas por nós mesmos. Desta forma são semelhantes. Lá você encontra casas, prédios, escolas, hospitais, praças, jardins, lagoas, rios, animais, fábricas, alimentos, máquinas, veículos para transporte, instituições governamentais, hierarquia. As colônias ocupam um área delimitada cercada por muralhas e sistema de proteção para evitar a invasão de espíritos vindos das regiões sombrias.

Sobre a cidade do Rio de Janeiro encontramos uma colônia chamada NOSSO LAR, a primeira descrita por um espírito chamado André Luiz. Na época em que o livro (na década de 30) existiam mais de 1 milhão de almas que lá habitavam. Sobre a Cidade de São Paulo encontramos 3 grandes colônias. Existem referências sobre colônias localizadas na região de Brasília e Ribeirão Preto/SP devido a sua beleza.

As colônias espirituais do Brasil foram criadas a pouco tempo tendo início com a colonização do país. Antes já existiam núcleos menores ocupados por indígenas. Existem colônias no oriente com milhares de anos de existência. As maiores e mais belas se localizam sobre a Índia e o Tibet. As colônias possuem intenso intercâmbio entre si e com os postos de socorro que são locais subordinados a elas que se encontram em planos espirituais mais baixos (inclusive na Terra) para ajudar e resgatar almas perdidas nas regiões de sombra (Umbral).

Algumas colônias possuem Escolas de Regeneração e grandes Hospitais para onde são levados os espíritos resgatados em regiões do Umbral. Estas pessoas passam por ensinamentos e tratamento para se recuperarem dos problemas morais e sentimentos negativos que ainda as prendem em níveis mais baixos.

Fonte: http://www.vidaemorte.org/

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre a Certeza



— Márcia você me desculpe lhe falar mais uma vez amiga, mas é que eu realmente penso que você deveria ir comigo lá no terreiro.

— Bobagem Vera, isto é coisa de ignorante!

— Ignorante amiga? Então quer dizer que você julga-me como tal?

— Não Vera! Apenas digo que as pessoas que fazem parte destes centros são ignorantes.

— Os médiuns?

— Exatamente!

— Mas lá na corrente do terreiro que eu freqüento como assistência existem médicos, professores, entre outros.

— Então, eles são doutos na profissão que exercem, mas ignorantes por acreditarem em contos de fadas.

— Desculpe pela insistência minha amiga, mas é que eu estou muito preocupada com esta sua tontura que nenhum dos médicos que você visitou encontrou explicação plausível.

— Eu sei Vera, eu sei!

— Então amiga, o que lhe custa dar uma chance para que as entidades que militam na Umbanda possam lhe auxiliar? Você não quer acabar com esta tontura?

— Puxa, já perdi as contas de quantas vezes você abordou este assunto comigo!!!

— Perdão! Eu não mais lhe aborrecerei!

— Não Vera, eu vou contigo! Está na hora de acabar com esta história de uma vez!

— Então você vai?

— Vou!

— Graças a Deus!

— Quando é a sessão?

— Hoje a noite, às 20;00 horas.

— Pode deixar que eu não faltarei.

Naquela sexta-feira à noite, precisamente às 20h45min, Márcia sentou-se em um toco para receber a consulta do Caboclo Rompe Mato que disse-lhe:

— Salve Tupã filha!

Ao que ela respondeu:

— Salve!

— Este Caboclo ignorante só gostaria de saber em que poderia auxiliá-la.

Márcia pensou: “será que esta entidade sabe o que eu penso a respeito desta seita?”

— Religião filha!

— Como?

— A Umbanda não é uma seita, é uma religião!

— Então você pode ler meus pensamentos?

— Posso ver somente aquilo que Tupã julgar que seja importante para auxiliá-la.

— Então por que você... Caboclo Rompe Mato, não é isso?

— Exatamente!

— Por que você não me diz o que vim fazer aqui nesta noite? Será que Deus permitiria que você visse?

— Já vi!

— Viu?

— Você pode até não saber, mas veio até aqui para acabar com uma certeza dentro de você!

— Acho que você não viu direito!

— Filha eu não devo tentar convencê-la de nada. Eu só posso dizer aquilo que a Lei me permita revelar.

— Mas de que certeza você está falando?

— Da mesma certeza que o vosso pai explicou-lhe aos cinco anos de idade!

— Meu falecido pai?

— Exatamente, lá no circo.

— Não me recordo.

— Filha você se lembra quando seu pai lhe explicou como é possível um animal robusto como o elefante ficar preso em um pequenino toco de madeira?

Os olhos de Márcia marejaram com as recordações do pai saudoso e ela respondeu ao Caboclo:

— Lembro.

— Então, o seu pai lhe explicou que o elefante desde pequenino tem uma corda amarrada em seu corpo que o prende a um fortíssimo tronco de árvore, não foi?

— Exatamente!

— E como o elefante tenta inúmeras vezes se libertar daquela corda e não consegue um dia ele acaba desistindo de tentar fazer isto justamente por ter a certeza de que isto seria impossível.

— Meu Deus, mas como o senhor pode saber disto?

— Filha não precisa chamar-me de senhor, continue a tratar-me de você.

— Acho impressionante como o senhor pode saber de uma coisa tão antiga, entretanto devo lhe dizer que se enganou quanto ao motivo que me trouxe até aqui esta noite.

— Verdade filha?

— Sim. Vim até aqui por que estou com uma tontura terrível.

— A tontura é conseqüência e a certeza é a causa dela!

— Como é?

— Uma certeza que você possui está provocando esta tontura.

— É incrível como o senhor consegue ver tão bem o meu passado, mas não enxerga o momento presente!

— Fale mais filha!

— Na verdade o meu esposo vem cobrando certa coisa há seis anos e eu tenho um medo muito grande de “quebrar a cara” com a decisão que eu tomar. Eu tenho medo e não certeza!

— Você não está indecisa pelo medo, mas devido à certeza!

— Certeza?

— É! Certeza de que vai “quebrar a cara” se concordar com o seu marido.

— E qual é a diferença?

— Aquele que tem medo procura se precaver e se preparar para depois escolher um caminho. Após a escolha ele até teme pelo pior, mas não tem receios de viver um dia após o outro. Já aquele que tem a certeza de que vai “quebrar a cara” acabará “quebrando-a” por que será incapaz de enxergar o aprendizado da caminhada em sua decisão.

— Nisto você tem razão.

— Você entende que é a certeza que a vem impedindo de agir tal qual um pequenino tronco de madeira que consegue prender o mais potente elefante?

Neste instante, ao misturar imagens do presente com recordações do seu saudoso pai, Márcia chorou um copioso pranto.

O Caboclo Rompe Mato deixou que a tempestade passasse e somente quando chegou a bonança emotiva no coração de Márcia foi que ele disse:

— Toda escolha envolve perdas e ganhos: o importante é saber o que se quer perder e o que se deseja ganhar com uma determinada escolha.

— Você sabe de qual escolha eu estou falando, não sabe?

— Você, até sentar na frente deste Caboclo, tinha a certeza de que engravidar iria acabar com a paz em sua vida. Agora, depois da conversa que estamos tendo, esta certeza já não está tão clara em seu coração.

— É verdade!!! Mas...

— Fale filha!

— Qual é a relação desta certeza com a tontura que venho sentindo?

— Filha, esta gravidez foi programa no plano espiritual antes de seu reencarne e este Caboclo só pode dizer que é uma oportunidade que você vem esperando há muitas encarnações.

— É mesmo?

— Sim. E o seu espírito sabendo que a hora é chegada vem lhe fazendo recordar do compromisso assumido há tanto tempo.

— E isto vem causando a tontura?

— Não. A sua teimosia em não querer assumir o compromisso vem atraindo companhias espirituais indesejadas e grande desequilíbrio energético para você.

— Nossa, Caboclo Rompe Mato, eu não entendo muito do que você está falando, mas sinto a força da verdade em suas palavras dentro do meu coração!

— Que bom filha, pois este Caboclo só pode lhe dizer o que Tupã permite que seja dito.

— Eu entendo!

— Reflita no que Caboclo lhe disse e use o seu livre-arbítrio com sabedoria! Peça a Deus que lhe dê entendimento para discernir verdadeiramente o que é ganhar e o que é perder de acordo com as decisões que você tomar, entende?

— Sim senhor, mas...

— Solta língua seu filha!

— Será que o sonho que tenho desde criança, mas que vem se repetindo intensamente nos últimos seis meses, está relacionado com este meu compromisso pré-reencarnatório?

— Filha este Caboclo, no momento, só está autorizado a lhe dizer que assim que o seu filho nascer este sonho não mais se repetirá.

— Sim senhor, obrigada por tudo!

— Não agradeça a este Caboclo, agradeça a Tupã.

Dois anos depois deste atendimento Márcia senta-se com o seu filho na frente do Caboclo Rompe Mato e lhe diz:

— Senhor Caboclo eu vim aqui hoje por dois motivos, sendo que o primeiro é lhe agradecer pela vida do meu filho, Henrique.

— O Caboclo cruzou a testa da criança, olhou para Márcia e disse sorrindo:

— O seu curumim é lindo, mas Caboclo lembra de ter pedido a você que só agradecesse a Tupã, não é verdade?

— É verdade!

— Mas diga filha Márcia: qual foi o outro motivo que trouxe você para conversar com este Caboclo?

— É que eu tenho uma dúvida que para esclarecê-la eu teria que lhe contar aquele sonho que eu tinha desde criança e que, como o senhor mesmo me disse, parou de ocorrer desde o nascimento do Henrique.

— Pode falar filha!

— É que em meu sonho eu me via como esposa de um governante de um dos povos do antigo império babilônico. Eu via também que estava grávida, mas que o filho não era do meu esposo e sim de um escravo de nossa residência que tinha o nome de Josias.

Caboclo Rompe Mato recordava junto com Márcia quando lhe disse:

— Prossiga filha!

— Bom daí, de uma forma que eu não sei dizer como, o meu marido descobriu este fato e chicoteou...

O Caboclo Rompe Mato prosseguiu:

... chicoteou o escravo até matá-lo.

— Isto! Mas o que mais me impressiona foram as palavras ditas pelo escravo antes de morrer e que foram:... O Caboclo Rompe Mato prosseguiu:

— “...............não se preocupe , pois um dia eu a auxiliarei a trazer a criança de volta a vida”.

— Isto! Mas, como o senhor sabe?

— Continue a contar o sonho filha!

— Naquele momento eu não entendi o porquê do escravo haver dito aquelas palavras a mim; somente dois dias depois do seu óbito foi que descobri: meu marido obrigou-me a escolher entre ter a criança e ser vendida como escrava ou abortar e continuar como a amante dele. Visando apenas o meu conforto eu tive a certeza de que era melhor abortar, mas o meu marido, mesmo assim, vendeu-me como escrava, do resto não me lembro.

— E qual é a sua dúvida filha?

— É que o meu bebê, o Henrique aqui no meu colo, eu sinto como se ele fosse aquele escravo reencarnado, eu estou certa?

— Isto é coisa que Caboclo Rompe Mato não está autorizado a dizer só o seu próprio coração.

— Então está bem, agradeço a Deus por tudo, mas também não tem como deixar de agradecê-lo!

E, com um esboço de sorriso no canto dos lábios, o Caboclo disse a ela:

— Agradeça somente a Tupã filha! Este Caboclo é só um espírito ignorante!

Márcia sorriu ao recordar-se do quanto era pedante e preconceituosa com as práticas umbandistas há dois anos até o momento que conversou pela primeira vez com o Caboclo Rompe Mato.

O Caboclo despediu-se de Márcia e ela bateu ritualisticamente a cabeça no gongá em reverência e agradecimento a Deus.

A cambone do Caboclo Rompe Mato olhou para ele de forma quase suplicante ao solicitar:

— Posso falar com o senhor?

— Pode falar filha!

— É que eu gostaria muito de agradecer o aprendizado que obtive com o senhor neste atendimento: muitas vezes deixamos de agir, de optar, de escolher nem tanto por medo, mas pela certeza de que o caminho que escolhermos nos levará ao arrependimento. Jamais devemos agir com o intuito de errar, mas se errarmos devemos entender que isto só nos aproxima do jeito correto de se fazer as coisas.

— Caboclo está vendo que filha aprendeu mesmo, hein?

— Muitas vezes deixamos de agir não por medo de errar, mas pela prepotência de querermos sempre ser infalíveis e pela triste certeza de que é melhor não agir do que errarmos.

— Caboclo fica feliz com seu aprendizado, mas agradeça somente a Tupã por ele.

— Sabe senhor Caboclo foi incrível, quase inacreditável, como o senhor sabia descrever com minúcias o multissecular sonho da Márcia.

— Multissecular?

— É por que, como o senhor sabe, o império babilônico existiu há muitos séculos.

— Entenda, filha cambone, que você não deveria se espantar com este Caboclo por isto!

— Ah eu sei que não deveria mesmo, pois eu sei como o senhor é poderoso e..........

— ...............Filha cambone?

— Sim senhor Caboclo?

— Nunca mais repita que este Caboclo é poderoso!!!

— Desculpe!

— Este Caboclo sabe que você exerce há pouco tempo a tarefa de cambonar, mas nunca se esqueça que só Tupã é poderoso aliás, Todo Poderoso!

— Sim senhor!

— Não precisa ficar assustada, porque Caboclo não está brigando, mas tentando esclarecer você.

— Sim senhor!

— Caboclo sabia do sonho da filha Márcia não porque é poderoso, a justificativa é muito, mas muito mais simples!

— E o senhor poderia contar qual é?

— É que este Caboclo é contemporâneo da época em que ocorreu a história contada pela filha Márcia e é por isso que tem conhecimento do sonho narrado por ela, entendeu?

— Sim senhor!

— Então, por caridade, vá chamar a próxima assistência para este Caboclo atender por que a prática da caridade não pode parar, não é filha?

— É sim senhor! Deixa eu ir lá chamar a assistência!

E enquanto a cambone se afastava do Caboclo ele agradecia intimamente a Deus pela oportunidade de ter auxiliado na tarefa que há muito aguardava.

A cambone trazia uma senhora de aproximadamente sessenta e cinco anos de idade que seria o próximo atendimento da entidade e, enquanto isto acontecia, o Caboclo Rompe Mato passou a recordar dos tempos em que fora líder religioso de um povo que posteriormente foi feito escravo pelos caldeus. Na religião que ele professava eram ensinadas as verdades sobre a reencarnação, mas também a existência em um único Deus. Lembrou-se de que era casado e que, quando o seu povo foi feito escravo, o governante maior dos caldeus tomou a sua mulher para amante, sem saber que ela estava grávida do esposo há poucas semanas.

A entidade se recordava destes momentos referentes a esta encarnação com um profundo sentimento de respeito e gratidão ao Divino Criador pelo fato de tanto haver evoluído por meio do sofrimento, e, enquanto a próxima pessoa a ser assistida pela entidade sorria para ele e já se sentava no toco o Caboclo Rompe Mato terminava de agradecer a Deus por todo o crescimento espiritual que adquirira quando fora a encarnação do escravo caldeu que possuía, nesta referida época, o nome de Josias.

Fonte: http://pedrorangelsa.blogspot.com/
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Ouça os Pontos da Linha de Esquerda da Umbanda

Luz Crística

"Estudo, requer meditação. A meditação leva a conclusões. E as conclusões fazem com que as pessoas modifiquem os seus hábitos e suas atitudes" – Dr. Hermann (Espírito) por Altivo Pamphiro (Médium)

Positivismo

Tal como são nossos pensamentos é nossa consciência: e tal como é nossa consciência, é nossa vida.

Se plantarmos uma semente de pensamento limpo e positivo e nos concentrarmos nele, damos a ele energia, tal como o sol dá energia para uma semente na terra. E tal como a semente na terra acorda, move-se e começa a crescer, os pensamentos nos quais nos concentramos acordam, movem-se e começam a crescer.

Então, vamos semear pensamentos positivos.

A cada manhã, antes de começarmos a jornada de nosso dia, sentemo-nos em silêncio e semeemos a semente da paz.

Paz é harmonia e equilíbrio. Paz é liberdade - liberdade do peso da negatividade e do desperdício. Deixemos que a paz encontre sua morada dentro de nós. A paz é a nossa força original, nossa eterna tranquilidade de ser.]

Permita que seu primeiro pensamento do dia seja de paz. Plante essa semente.

Regue-a com atenção e você atingirá a calma.

Por Antony Strano

Obras Básicas da Doutrina Espírita - Pentateuco Espírita

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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