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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Evangelho e a Umbanda


A UMBANDA PREPARANDO O CAMINHO PARA A ETERNIDADE 
Vamos a opinião abalizada de um estudioso dos problemas da alma, da vida material e espiritual, o Dr Aníbal Vaz de Melo, na magnífica página intitulada “O Caminho”, de seu livro “O Evangelho à Luz da Astrologia”, a fim de aplicarmos esse precioso esclarecimento, em nossas vidas, mormente como umbandistas:  
 Na verdade o caminho que nos conduz ao Mestre é difícil de ser trilhado. Difícil e doloroso. Muitos acreditam que seja preciso uma viagem ao Tibet misterioso para o aprendizado necessário. Puro engano! O caminho não está em determinadas regiões da Terra, fora do alcance comum e das possibilidades humanas. O peregrino encontrará o seu sendeiro na mesma cidade e lugar onde o destino o colocou.
As provas de experimentações impostas aos candidatos ao noviciado espiritual não se encontram também nos cerimoniais complicados e fossilizados de várias lojas e seitas religiosas, mas apenas na percepção dos pequenos lances da vida quotidiana nas renúncias diárias de coisas que aparentemente parecem úteis e imprescindíveis, mas que na realidade pouco significa. O que importa ao caminhante é saber aproveitar as experiências e as esplêndidas lições do agora, porque é neste efêmero que está à plenitude da Eternidade, e neste agora que está a Vida, que também é eterno presente.
O caminho que nos conduz ao encontro do Cristo interno é uma via interior; profundamente interior. É uma espiral em ascensão para o infinito. É um caminho doloroso e difícil, já o dissemos. Está também cheio de renúncias... Mas o Peregrino tem, contudo, as suas compensações: enquanto os pés sangram na escalada dolorosa da montanha, feridos pelas pedras e pelas urzes das estradas, os olhos do caminheiro vão contemplando novas e mais belas paisagens, novas e mais belas perspectivas de horizontes infinitos, novas e mais deslumbrantes iluminuras de poentes e de alvoradas...
 É assim que caminhamos para mais perto do azul e das estrelas, para mais perto de Deus. A vista do Espírito através dos olhos da carne vai contemplando novas claridades, e só muito alto, no píncaro da montanha é que eles defrontam a vastidão imensurável, a vastidão maravilhosa das coisas infinitas... E o caminhante ao defrontar este panorama soberbo, amplo, permeado de luz, indefinido, sente-se extático e fica com a alma de joelhos na volúpia da contemplação... É a visão maravilhosa... A visão Suprema, a visão sem formas, o Pensamento incriado... É a luz transcendente... É Deus!
 “Eu sou o Caminho da Verdade e da Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”!
 É Jesus que nos orienta. É preciso incorporar à nossa vida o Evangelho do Mestre.
 O Evangelho é essa chave perdida que alguns “magos” andam procurando pelo Tibet, pela Índia, pelo Egito, pela China, por Lemúria, pela Atlântida. E, afinal, não conseguem encontrar o caminho dos “passos perdidos”. É que a tal chave está conosco mesmo, em cada um de nós. Está com todos aqueles que queiram seguir a Jesus e fazer a vontade do Pai. Não há fórmulas cabalísticas ou de magia que façam você ser feliz ou afortunado, se você não se colocar dentro da faixa vibratória do merecimento e fizer por onde. Você é que tem as chaves do reino e só você poderá fazer uso delas.
 Então se ponha em condições, cada dia, de fazer penetrar essas chaves em seu próprio reinado, no mundo da sua consciência e o fim será maravilhoso. Prepararmo-nos para o futuro e para a eternidade, deve ser a nossa mais ardente preocupação. Mas nunca pelo aniquilamento do próximo, do nosso irmão, ou com processos escusos de matar animais.
 O Evangelho, repetimos, está de braços abertos aguardando a nossa chegada. É o amigo sempre presente; faça amizade com ele e terá encontrado o caminho que você procura. O Espiritualismo de Umbanda está aí para proporcionar Luz e Amor no entendimento e no coração dos filhos de Deus e não para promover demandas, nem atiçar a fogueira do ódio, da vingança, das represálias. Não! “A melhor maneira de se extinguir o fogo é recusar-lhe combustível. A fraternidade operante será sempre o remédio eficaz, ante as perturbações dessa natureza. Por isso mesmo o Cristo aconselhava o amor aos adversários, o auxilio aos que nos perseguem e a oração pelos que nos caluniam, como atitudes indispensáveis à garantia da nossa paz e da nossa vitória”. – Citado por André Luiz em “Nos Domínios da Mediunidade”.
(Trecho extraído do livro: “Umbanda Cristã e Brasileira – Jota Alves de Oliveira”)
    

  
O QUE É EVANGELHO?
O objetivo central deste estudo é enaltecer os esforços constantes de evangelização das criaturas. Para que possamos atingir tal desideratum, preparamos o seguinte roteiro: conceito, conotações do termo “Evangelho”, Evangelho no contexto histórico, o Evangelho Segundo o Espiritismo e Evangelho e Educação.   
Conceito
O uso freqüente de uma palavra pode provocar, com o tempo, a perda do seu significado original. Isto aconteceu com muitos de nós que dizemos e ouvimos pronunciar tantas vezes o termo “Evangelho”. De acordo com Battaglia em “Introdução aos Evangelhos”, o primeiro significado lembrado pelo som desta palavra é o de um livro, um dos quatro que foram legados pela era apostólica e que contém a vida e a doutrina de Jesus. A palavra “Evangelho” suscita em muitos cristãos uma vaga idéia de respeito e solenidade ligada à liturgia da Missa dominical, quando o som deste termo faz-nos ficar todos de pé para ouvi-lo devota e respeitosamente. Mas normalmente, tudo pára aí.  
Evangelho é a tradução portuguesa da palavra grega Euangelion que foi notavelmente enriquecida de significados. Para os gregos mais antigos ela indicava a “gorjeta” que era dada a quem trazia uma boa notícia. Mais tarde passou a significar uma “boa-nova”, segundo a exata etimologia do termo.
Falava-se de “evangelho”, nas cidades gregas, quando ecoava a notícia de uma vitória militar, quando os arautos noticiavam o nascimento de um rei ou de um imperador. Ao termo estava unida a idéia de festa com cânticos, luzes e cerimônias festivas. Era, em suma, o anúncio da alegria, porque continha uma certeza de bem-estar, de paz e salvação. (1984, p. 19 e 20) 
Conotações do termo “Evangelho”  
  • O Evangelho de Jesus – Deus, no Velho Testamento, havia comunicado os seus anúncios de alegria aos patriarcas, a Moisés e aos profetas do seu povo; no Novo Testamento, dá o maior dos “anúncios”, o anúncio de Jesus. Jesus não é só conteúdo do anúncio, mas é também o primeiro portador e arauto. Ele apresenta a si mesmo e a sua obra como o “Evangelho de Deus”, isto é, a “boa-nova” que Deus envia ao mundo que espera. (Battaglia, 1984, p. 21 e 22)
  • O Evangelho dos Apóstolos – Desde o momento da ascensão de Jesus, a palavra “Evangelho” designou a pregação oral dos apóstolos, pregação que tinha como argumento a pessoa e atividade de seu Mestre divino. (Battaglia, 1984, p. 23)
 
  • Os Quatro Evangelhos – Desde os primeiros anos do cristianismo preferiu-se falar de “Evangelho”, no singular, também quando se referia aos livros. isto porque os escritos dos apóstolos traziam todos o mesmo e idêntico “alegre anúncio” proclamado por Jesus e difundido oralmente. Quando se desejou, porém, indicar de maneira específica cada um dos quatro livros, encontrou-se uma fórmula particularmente eficaz e significativa: “Evangelho Segundo Lucas”, “Evangelho Segundo Mateus”, “Evangelho Segundo Marcos” e “Evangelho Segundo João”. Desse momento em diante, o singular e o plural se alternam para indicar, um a identidade do anúncio, o outro a diversidade de forma e redação. Ficará, porém, sempre viva a convicção de que o Evangelho é um só: o alegre anúncio de Jesus. (Battaglia, 1984, p. 25 e 26)
  • O Quinto Evangelho – Os Atos dos Apóstolos e as Cartas Apostólicas dispostos cronologicamente formariam um quinto evangelho. O Nascimento de Jesus, por exemplo, poderia ser encontrado em Gl 4,4; Rm 1,4; At 3, 18-24; At 1,14. Sua atividade missionária em At 10,36; At 2,22; At 1,13; At 1, 21-22; 2 Pd 1, 16-18; 1 Jo 1, 1-3. Este mesmo exercício poderia ser feito com relação às condições de sua vida, o início da vida pública, a última ceia, a traição de Judas etc. (Battaglia, 1984, p. 32 a 36)
  • Evangelhos Apócrifos – Muitas informações acerca de Jesus estão arroladas nos Evangelhos apócrifos (escondidos) e nas ágrafas (ensino oral).

Contexto histórico do Evangelho – Ambiente político-religioso
O povo judeu, ao qual Jesus e os apóstolos pertenciam fazia parte do grande império romano que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico.  
O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos. O poder político-religioso na Palestina, naquela época, era exercido pelo procurador romano, pelo sumo sacerdote e pelo senado judeu.
O procurador romano era, sobretudo, um chefe militar, encarregado de vigiar, com 3.000 homens à sua disposição. Competia-lhe cobrar os tributos a serem enviados ao erário imperial. Administrava a justiça só nos casos em que era prevista a pena de morte, pena que o tribunal ordinário do sinédrio, ou os tribunais locais das várias regiões e cidades não podiam executar.
Por esse motivo Jesus, embora tivesse sido condenado à morte pelo sinédrio, teve de comparecer diante de Pilatos para responder por delito capital.
O sumo sacerdote era assistido, no governo político e religioso da nação, por uma espécie de senado judeu, o sinédrio. Pertenciam ao sinédrio três categorias de pessoas:
1.     príncipes dos sacerdotes” (chefes das famílias e das classes sacerdotais e os sumos sacerdotes depostos do cargo)  
2.     anciãos” (membros das famílias nobres e ricas de Jerusalém).
3.     escribas” ou “doutores da lei” (mestres judeus peritos na Lei e na tradição). Todos esses membros pertenciam às duas seitas principais do judaísmo: a dos saduceus e a dos fariseus. (Battaglia, 1984, p. 105 a 107)    

O Judaísmo Palestinense no tempo de Jesus
O ambiente histórico-religioso em que o Evangelho nasceu é o do judaísmo formado e alimentado pelos livros sacros do Antigo Testamento, condicionado pelos acontecimentos históricos, pelas instituições nas quais se encontrou inserido e pelas correntes religiosas que o especificaram.
Embora o cristianismo seja uma religião revelada, diferente da judaica, apareceu historicamente como continuação e aperfeiçoamento da revelação dada por Deus ao povo de Israel. Jesus era um judeu, que nasceu e viveu na Palestina. Os apóstolos eram todos da sua gente e da sua religião.
Por isso, nos Evangelhos encontramos descrições, alusões e referências a pessoas, instituições, idéias e práticas religiosas do ambiente judaico, frente às quais Jesus e os apóstolos tomaram posição, aceitando-as ou rejeitando-as. (Battaglia, 1984, p. 118)    

De Cristo a Kardec
A divulgação do Evangelho, desde as suas primeiras manifestações, não foi tarefa fácil. A começar pela construção desses conhecimentos – realizada sob um clima de opressão –, pois o jugo romano, como vimos anteriormente, pesava de maneira especial sobre a Palestina. As mortes dos primeiros cristãos nos circos romanos, ainda ecoa de maneira indelével em nossos ouvidos. Além disso, tivemos que assistir à ingerência política em muitas questões de conteúdo estritamente religioso. Fomos desfigurando o cristianismo do Cristo para aceitarmos o cristianismo dos vigários, como disse o “padre Alta”. A fé, o principal alimento da alma, torna-se dogmática nas mãos de políticos e religiosos inescrupulosos. Para ganhar os Céus, tínhamos que confessar as nossas culpas, pagar as indulgências e obedecermos aos inúmeros dogmas criados pela Igreja. É dentro desse quadro de fé dogmática que surge o Espiritismo, dando à fé uma direção racional, no sentido de iluminar a vida espiritual de toda a humanidade.
 
Kardec e o Evangelho Segundo o Espiritismo
O Evangelho Segundo o Espiritismo é o 3º Livro da Codificação. “O Livro dos Espíritos” surgiu em 18/04/1857, seguido pelo “O Livro dos Médiuns”, em 1861. Somente em 1864 Kardec publicou “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Isso para não chocar a crença católica da penas eternas.  
Allan Kardec na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” diz que as matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em cinco partes: 1ª) os atos comuns da vida de Cristo, 2ª) os milagres, 3ª) as profecias, 4ª) as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja 5ª) e o ensinamento moral. Se as quatro primeiras partes foram objeto de controvérsia, a última manteve-se inatacável. Este é o terreno onde todas as crenças podem se reencontrar, porque não é motivo de disputas, mas sim regras de conduta abrangendo todas as circunstâncias da vida, pública e privada.  
Kardec, para evitar os inconvenientes da interpretação, reuniu nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de Culto. Nas citações conservou tudo o que era útil ao desenvolvimento do pensamento, não eliminando senão as coisas estranhas ao assunto. Como complemento de cada preceito, ajuntou algumas instruções escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, e por intermédio de diferentes médiuns.
Cabe lembrar que o Espiritismo não tem nacionalidade, está fora de todos os Cultos particulares e não foi imposto por nenhuma classe social, uma vez que cada um pode receber instruções de seus parentes e de seus amigos de além-túmulo. Ele veio dar uma nova luz à moral do Cristo. (1984, p. 8 a 12)

Evangelho e educação  
No âmbito da Umbanda, o Evangelho deixou de ser apenas a fonte de meditação e oração para a ligação do homem com um Deus antropomórfico, no insulamento, para transformar-se num instrumento de aperfeiçoamento do indivíduo, de renovação íntima constante e continuada; de adequação, adaptação à vida, no torvelinho de suas modalidades, na incessante variação de suas manifestações. Em síntese, o objetivo da Umbanda é transformar o Evangelho de crença em conhecimento – conhecimento das leis que governam o Espírito.
Com o Evangelho, a idéia de Educação se transforma. Ela continua sendo a transmissão de cultura de uma geração a outra, mas com a finalidade de estimular a criatividade, de adaptar o indivíduo à vida, de conduzi-lo à integração na sociedade, através do trabalho produtivo, das realizações conjuntas, de forma ordenada e pacífica. (Curti, 1983, p. 85 a 87)
A vinda do Mestre modificou o cenário do mundo. Emmanuel em “Roteiro” diz-nos que antes de Cristo, a educação demorava-se em lamentável pobreza, o cativeiro era consagrado por lei, a mulher aviltada qual alimária, os pais podiam vender os filhos etc. Com Jesus, entretanto, começa uma era nova para o sentimento. Iluminados pela Divina influência, os discípulos do Mestre consagram-se ao serviço dos semelhantes; Simão Pedro e os companheiros dedicam-se aos doentes e infortunados; instituem-se casas de socorro para os necessitados e escolas de evangelização para o Espírito popular etc. (Xavier, 1980, cap. 21)
Emmanuel diz ainda que “O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança”. (Xavier, 1981, p. 28)

Conclusão

O Evangelho (segundo o Espiritismo) deixa de ser fonte de meditação e oração e passa a ser um instrumento de aperfeiçoamento do indivíduo.
É um guia insubstituível para a adaptação do homem às crescentes formas de vida. Refletindo sobre os seus conteúdos morais, o homem começa a evangelizar-se, ou seja, começa a criar novos hábitos e atitudes, a tornar operante a sua fé, a exercitar mais e mais vezes a paciência.
Adquire, assim, uma nova postura com relação à vida e ao seu próximo, porque aprendeu que o único evangelho vivo é aquele em que os outros o observam.
Irmãos umbandistas; não se esqueçam: Seguimos os Espíritos de Luz, seja onde for que se manifestem. Seguimos os conselhos e as orientações dos Espíritos de Luz, sejam eles Santos consagrados pelos católicos ou Espíritos que se manifestam no kardecismo. Onde se falar em Evangelho, pregando e seguindo a Nosso Senhor Jesus Cristo, aceitaremos sem restrições.
 (Sérgio Biagi Gregório com adaptações de Pai Juruá)

Colocaremos a disposição de todos algumas obras importantes sobre o Evangelho, que deverão ser lidas, estudadas e praticadas, principalmente na prática do Evangelho no Lar.
“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória, e quem colhe é Deus Pai Todo Poderoso” – Jesus  
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai, a não ser através de mim” –
Esta tudo aí. Mãos a obra. 
   

 “Ide e pregai o Evangelho por todo o mundo, para o testemunho de todas as Nações”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cambonos: Os médiuns de sustenção!


Cambono é um secretário das entidades. Ele zela pelo bom atendimento, ajuda a dinamizar as consultas, facilita o trabalho das entidades e serve também como intérprete destas.
O cambono, na verdade, é um médium em desenvolvimento ou que não incorpora. Também podem ser utilizados os outros médiuns em regime de escala. O seu trabalho dentro do Templo é tão importante quanto o dos demais médiuns e, mesmo sem estar incorporado, ele é parte integrante de todo o trabalho espiritual, pois os Guias Espirituais se utilizam dele para retirar as energias que serão utilizadas no atendimento aos consulentes. Muitas vezes, um Guia Espiritual tem dificuldades de adentrar no íntimo do consulente devido à densidade energética presente na pessoa e lança mão da presença do cambono e, através deste, fazendo como que “uma ponte”, consegue auscultar o íntimo da pessoa.
         Como o trabalho do cambono é de secretário, ele deve, antes de tudo e se possível com um dia ou mais de antecedência, deixar preparado todos os apetrechos de trabalho que costumam ser utilizado pela entidade a qual irá cambonear. Ele precisa saber os hábitos de trabalho da entidade em dias de atendimento ou, se for a sua primeira vez, deve se informar sobre o que precisará ter em mãos, caso seja pedido, evitando assim atrasos desnecessários durante as consultas. O cambono, na verdade, precisa ter conhecimento de todo o culto e de todas as entidades, precisando, então, prestar muita atenção à atuação delas durante as giras.
Sempre que solicitado, o cambono deve ajudar as entidades a se comunicarem com os consulentes, desde é claro, que seja treinado para isso e também que seja muito atento a tudo o que a entidade solicitar. Na verdade, o cambono, em alguns casos, poderá explicar de uma forma mais simples ou mesmo interpretar o que for dito para que o consulente não distorça as palavras das entidades. Lembre-se de que para este trabalho o cambono deverá ser preparado em uma espécie de estágio nas Giras de desenvolvimento para que possa saber como as entidades trabalham.
O cambono, antes de qualquer coisa, é pessoa de extrema confiança do Pai ou Mãe da casa, assim como da entidade que estiver atendendo; portanto, caso perceba qualquer coisa estranha, qualquer coisa que não faça parte dos procedimentos normais, deve reportar-se ao Guia-chefe ou ao Pai ou Mãe da casa na mesma hora. É por isso que é tão importante, e necessário, que o cambono saiba todos os procedimentos de trabalho e todas as normas da conduta que entidades e médiuns devem ter dentro do Templo.
O fato de auxiliar nas consultas exige que o cambono seja discreto e mantenha sigilo sobre tudo o que ouvir, não se esquecendo de que ali estão sendo tratados assuntos particulares e que não dizem respeito a ninguém além da pessoa que estiver sendo atendida e da entidade. O sigilo é um juramento de confiança que todo o cambono deve ter e fazer.
Sem a ajuda de um cambono, os trabalhos tornam-se lentos e o atendimento aos consulentes ficaria difícil, principalmente se o Templo atender um grande número de pessoas. Para que tudo transcorra de forma satisfatória, a presença de um cambono é de grande necessidade dentro do Templo, mas este não deve jamais confundir a entidade com a pessoa, isto é, ele é cambono do Guia Espiritual e não daquele médium, que é apenas um irmão dentro do Templo. O que ele pode, sim, é perguntar ao médium com o qual trabalha como deve proceder para prestar um melhor atendimento à entidade durante os trabalhos.
Uma prática útil e aconselhável dentro de um Templo é a troca de cambonos entre as entidades. Isto traz um maior aprendizado aos cambonos e também faz com que estes se habituem a tratar todas as entidades da mesma forma, sem criar laços afetivos exagerados. Desenvolver afeto pelas entidades é comum, mas a afinidade espiritual só é saudável se não conduzir à dependência; portanto, o chefe da casa poderá decidir-se pelo trabalho alternado e, nesse caso, deverá fazer com que todos saibam disso com antecedência.
De vez em quando, todos médiuns, mesmo aqueles que incorporam, deveriam trabalhar como cambonos para poderem aprender mais e desenvolver a humildade, que é a característica mais importante que um médium deve ter.
Obs: Somente o Guia-Chefe deverá ter um cambono fixo e da confiança do sacerdote, pois provavelmente participará ativamente de todas as resoluções tomadas em relação a médiuns e ao Templo. Normalmente, o Guia-Chefe requer certa rapidez e presteza em seus atos e atendimentos, e só um cambono fixo poderá se prestar eficientemente como auxiliar.
Materiais básicos que os cambonos precisam ter durante os trabalhos:
  • Uma malinha (tipo mala de ferramentas), para colocar seus apetrechos de trabalho.
    Uma sacolinha, pendurada no pescoço, com todo o material necessário para o atendimento imediato dos guias, como: isqueiro – caneta – bloquinho de papel, etc.
    Um pano de cabeça (se for de uso do seu Templo).
    Uma toalhinha branca (para higiene).
Veja bem: esta é uma lista de material utilizada normalmente. Desde que saiba qual entidade irá cambonear, o cambono deve saber se ela usa materiais específicos, tais como ervas, velas, bebidas, ferramentas de trabalho, etc. e se organizar junto ao médium com o qual trabalhará para ter tudo por perto.
É importante saber que todo o material de uso das entidades é de responsabilidade do médium que a incorpora e que o trabalho do cambono é estar atento para que este material não falte ou acabe, devendo comunicar o médium com antecedência quando o material estiver acabando.
Obs: O Cambono é um auxiliar do Templo e não um empregado dos médiuns. A educação e a lisura devem estar presentes a todo instante.

O QUE É SER UM CAMBONO
Os Cambonos são médiuns de sustentação, e são tão importantes quanto os médiuns ostensivos (de incorporação mediúnica) nos trabalhos de uma Casa Umbandista; eles também devem seguir certos procedimentos e ter a mesma dedicação e responsabilidade.
O Cambono, médium de sustentação, é aquele trabalhador, com mediunidade ostensiva ou não, que está presente ao trabalho, mas que não participa diretamente do fenômeno nem dos procedimentos de incorporação mediúnica para atendimentos.
Como o próprio nome diz, embora não esteja envolvido diretamente no fenômeno ou na assistência, faz a sustentação energética do trabalho, mantendo o padrão vibratório elevado por meio de pensamentos e sentimentos elevados.
Ao contrário do que se pensa, os médiuns cambonos de sustentação são tão importantes quanto os médiuns de incorporação, pois são eles que ajudam a garantir segurança, firmeza e proteção para o grupo e para o trabalho, enquanto os médiuns de atendimento fazem a sua parte e desenvolvem o trabalho assistencial.
Além disso, são eles também que ajudam os médiuns de incorporação, como já foi escrito linhas acima.
Considerando esse papel, podemos listar alguns requisitos importantes para os médiuns de sustentação:
Responsabilidade
Tanto quanto o médium de incorporação, o médium cambono de sustentação precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade e as energias humanas, a fim de poder auxiliar eficientemente o dirigente do trabalho e os seus colegas médiuns ou não.
Firmeza mental e emocional
Como é o responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o médium cambono de sustentação deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho e dos outros trabalhadores.
Equilíbrio vibratório
Como trabalha principalmente com energias – que movimenta com os seus pensamentos e sentimentos o cambono, médium de sustentação deve ter um padrão vibratório médio elevado, a fim de poder se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo quando necessário.
Para isso, deve observar sempre a prática do Evangelho no Lar, ou algo similar, bem como a preparação necessária na noite que antecede o trabalho e no dia propriamente dito, cuidando do descanso, da alimentação, da higiene física e mental, dos banhos ritualísticos, da firmeza da sua guarda, etc.
Compromisso com a casa, o grupo, os Guias Espirituais e os assistidos
O cambono, médium de sustentação deve lembrar-se de que, mesmo não tomando parte direta nas assistências, tem alguns compromissos a serem observados:
• Com a casa que trabalha: conhecendo e observando os regulamentos internos a fim de seguí-los. Explicá-los, quando necessário, e fazê-los cumprir, se for o caso; dando o exemplo na disciplina e na ordem dentro da casa; colaborando, sempre que possível, com as iniciativas e campanhas da instituição.
• Com o grupo de trabalhadores em que atua: evitando faltar às reuniões sem motivos justos, ou faltar sem avisar o dirigente ou o seu coordenador; procurando ser sempre pontual nos trabalhos e atividades relativas; procurando colaborar com a ordem e o bom andamento do trabalho.
• Com os Guias Espirituais: lembrando que eles contam também com os médiuns cambonos de sustentação para atuar no ambiente e nas energias necessárias aos trabalhos a serem realizados, e que, se há faltas, são obrigados a “improvisar” para cobrir a ausência. Os Guias Espirituais devem ser atendidos com presteza e respeito.
• Com os assistidos: encarnados e desencarnados, que contam receber ajuda na Casa e não devem ser prejudicados pelo não comparecimento de trabalhadores. Todos deverão ser recebidos e tratados com esmero, dedicação, respeito e educação.
Ausência de preconceito
O cambono, médium de sustentação não pode ter qualquer tipo de preconceito, seja com os assistidos encarnados ou desencarnados, seja com os dirigentes, mentores, etc.
Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.
Discrição
O cambono, médium de sustentação nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, as informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa. A discrição deve ser sempre observada, não só por respeito aos assistidos envolvidos, encarnados e desencarnados, como também por segurança, para que entidades envolvidas nos casos atendidos não venham a se ligar a trabalhadores, provocando desequilíbrios.
Os comentários só devem acontecer esporadicamente, de forma impessoal, como meio de se esclarecer dúvidas e transmitir novas informações a todos os trabalhadores, e somente no âmbito do grupo, ao final dos trabalhos.
Coerência:
Tanto quanto o médium de incorporação, o cambono, médium de sustentação deve manter conduta sadia e elevada, dentro e fora da casa em que trabalha, para que não seja alvo da cobrança de entidades desequilibradas, no intuito de nos desmascarar em nossas atitudes e pensamentos.
Como vemos, as responsabilidades dos cambonos, médiuns de sustentação são as mesmas que a dos médiuns ostensivos, e exigem deles o mesmo esforço, a mesma dedicação e a mesma responsabilidade.
CONCLUSÃO
Como vimos, não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender tudo sobre os Orixás, os Guias Espirituais, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que deve adotar para, depois, se for o caso, ser um bom médium de incorporação e alcançar a evolução espiritual até o Pai Maior.
Fonte:
TRECHO EXTRAÍDO DO LIVRO: O ABC DO SERVIDOR UMBANDISTA
AUTORIA: PAI JURUÁ – NO PRELO

sábado, 2 de outubro de 2010

O Melhor Livro Sobre Umbanda: História da Umbanda - Uma Religião Brasileira - Autor: Alexandre Cumino

O tempo é muito limitante, mas quando lemos algo com real prazer, conseguimos horas, que passam céleres, para absorvermos e vivermos junto com as palavras grafadas de livros escritos com a alma.
Esse é um magnífico trabalho de revisão bibliográfica, onde o autor não se perde nenhuma só vez, não se distrai ao mostrar os dados históricos, e ao mesmo tempo denota-se a dedicação, a entrega, a obstinação em cumprir a missão, que ao nosso ver, foi atingida com êxito total.
Digo que foi um ato de entrega e disciplina, pelo rigor que emerge página a página, a começar mesmo pela dedicatória:

“Dedico este livro a todos os umbandistas que vão além do simples freqüentar ou praticar Umbanda, que estudam e se dedicam, de corpo, mente e espírito à Religião de Umbanda. A estes que afirmam de coração. Sou umbandista!”

Curiosamente, o que primeiramente atraiu fortemente foram os anexos, onde se iniciam pela história do Sr. Zélio de Moraes, aquela já conhecida por todos nós, acrescida do tempero de informações inéditas, segue com a verdadeira saga que foi a vida de Leal de Souza, depoimento de Pai Ronaldo Linhares, que conheceu pessoalmente o Sr. Zélio, e por aí vai… Permitam-me copiar um pequeno trecho de texto de Capitão Pessoa, texto esse até em então desconhecido por mim, chamado “O pastor da Umbanda”:

“…Foi ele (o caboclo das Sete Encruzilhadas), quem provocando uma guerra com os espíritos das trevas, diretamente interessados com a implantação dos trabalhos de magia negra, não vacilou um só momento em seguir o programa traçado e arrebanhando as suas ovelhas – verdadeiro Pastor de Umbanda- vai continuando a sua obra de propagação com as constantes inaugurações de Tendas, que filiadas ou não à Tenda N.S.da Piedade, são realmente suas, estão queiram ou não queiram os seus organizadores, debaixo de sua orientação espiritual.”

Não são ricas informações?
Mas, continuando, o anexo 7 traz um questionamento muito interessante.”O Espiritismo é uma religião?”. O que vocês acham ? Garanto que é muito interessante! E quando fala da conexão de Chico Xavier e a Umbanda. Chico! É um texto delicioso primoroso! Vamos relembrar um trecho que ali consta, do livro:

“Brasil, Pátria do Evangelho, Coração do Mundo”, psicografia do espírito Humberto de Campos, através de Chico, com prefácio de Emanuel: “ …A realidade é que, considerada ás vezes como excessivamente conservadora, pela inquietação do século, a respeitável e antiga instituição é, até hoje, a depositária e diretora de todas as atividades evangélicas da pátria do Cruzeiro. Todos os grupos doutrinários, ainda os que se lhe conservam infensos, ou indiferentes, estão ligados a ela por laços indissolúveis no mundo espiritual. Todos os espiritistas do país se lhe reúnem pelas mais sacrossantas afinidades sentimentais na obra comum, e os seus ascendentes têm ligações no plano invisível com as mais obscuras tendas de caridade, onde entidades humildes, de antigos africanos, procuram fazer o bem aos seus semelhantes.”

Para Chico, todo aquele que crê nas manifestações espíritas é espírita. E assim declarou: “…Pelo que estamos entendendo, os umbandistas crêem nas manifestações, logo são espíritas”. Como foi feliz, o nosso autor, nesse anexo sobre Chico!
No Anexo 9 temos um questionamento se a Umbanda foi fundada ou anunciada, e o autor relata que a mesma foi uma manifestação necessária, e ressalta que nenhuma outra entidade realizou o que o Caboclo Sete Encruzilhadas fez, pois foi feito com Ordem Superior, ocorreu desta forma um duplo assentamento, na Terra e no Astral, num texto muito bonito, simples e claro.
Vocês sabiam que Kimbanda é diferente de Quimbanda? Eu desconhecia o fato, e achei interessantíssimo o relato do anexo 10 a respeito.
Voltando ao texto principal, temos na introdução algo muito certo: a Umbanda é um organismo vivo e complexo, e é necessário ao ler livros como esse, esvaziar totalmente a xícara e lê-lo isento de pré-conceitos.
Muito bom, quando fala das origens da Umbanda, do Caboclo Sete Encruzilhadas que todos conhecemos e não cansamos de ler sua história, sobre o 1º Congresso de Espiritismo de Umbanda (em vários capítulos citado, estudado e colocado sob diversas luzes), e entre estes tópicos reescritos, outros que são de lavra rara, como trechos escritos da Revista Espírita de outubro de 1861, publicado por Allan Kardec, de seu dialogo com um antigo escravo africano chamado Pai Cesar. Outro parágrafo cita que os indígenas já conheciam um local chamado Aruanda, e como foi absorvida a palavra Jurema como um local no astral de onde provêm os Caboclos.
Ao expor sobre a Magia da Umbanda, que é matéria recorrente em todo o texto, o faz com elegância, evitando colocar os autores sobre o alvo de críticas, mesmo aqueles sabidamente mais polêmicos. A sobriedade é pautada, mesmo nos comentários sobre o grande amigo e companheiro Rubens Saraceni. Discreto sem ser formal em excesso, alimentando com combustíveis mágicos a leitura progressiva e constante. Não se pode deixar de pinçar uma primorosa frase de Rubens, sobre as diferentes formas de interpretar os mistérios de Deus, em todas as manifestações de Umbanda: “..A Umbanda possui esta flexibilidade; ela não impõe…. Ali está uma boa parte dos fundamentos da Umbanda, seu ritual é aberto ao aperfeiçoamento constante….E por que isso? Simples: tudo o que as granes religiões castram nos seus fiéis, o ritual umbandista incentiva nas pessoas que dele (o ritual) se aproximam..
..
E que peculiar diversidade nos traz de seu estudo sobre a origem da palavra Umbanda? Quantas e quantas explicações, sintetizadas, ao nosso ver humilde, de um magistral objetivo: “Manifestação do espírito para a caridade”.
E sobre a Umbanda-religião? Mais dezenas de páginas magníficas, laureadas pelo depoimento igualmente magnífico de Leonardo Cunha dos Santos, bisneto do Sr. Zélio de Moraes parafraseando-o: “Se um centro de Umbanda cobrar, coloque os dois pés para trás e saia correndo, isso não é Umbanda!”

Aprendemos ainda em outro capítulo que Emanuel Zespo seria o pseudônimo do Professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo Betiol, umbandista das primeiras luzes, e escreveu “Codificação da Umbanda” um livro que já não é publicado, raro, exótico, informativo e altamente polêmico…Mas comentado aqui, de forma serena e disciplinada como tudo mais.
E podemos dizer, para que todos fiquem bem curiosos, que há uma riqueza de fotos raras, antigas e novas, um acervo que por si já é um presente, nem vou descrevê-las, para que fiquem com bastante vontade de vê-las!
E vamos lendo, fluindo através das páginas, e vemos um estudo criterioso, estatístico da dificuldade inicial da implantação da Umbanda, num Brasil que a perseguia, mas mesmo assim, floresceu. Depois, inexplicavelmente houve um declínio progressivo, onde predominava a literatura espírita ou esotérica e sobre a Umbanda só havia alguns poucos livros, não muito bem redigidos, com pontos, orações, receitas populares. Dos anos 90 em diante, alguns fatores determinaram o renascer da Umbanda, entre eles a nova literatura, que copiando exatamente Alexandre Cumino : “falando linguagem simples, sem perder a profundidade em seus conceitos, surgirá também em romances umbandistas”. A partir dos romances de Rubens Saraceni, Cumino ainda continua, o modelo foi copiado e difundido e daí foram se avolumando os novos adeptos.
Logo no início, citamos que há muitos dados sobre o Congresso de Espiritismo de Umbanda. Queremos ressaltar que neste livro também se encontram informações sobre o 2º e 3º Congresso, o que significa para nós umbandistas uma valiosíssima fonte de informações. Mas temos de deixar aqui algumas pérolas, como as declarações de Cavalcanti Bandeira, preocupado com a permanência e sobrevivência da Umbanda como religião sistematizada . Através das palavras de Bandeira, ele cita Lourenço Braga:

“Se a Umbanda fôsse unificada, isto é, se todos trabalhassem nos mesmos dias, nas mesmas horas, da mesma forma, com o mesmo ritual, com os mesmos pontos riscados e com os mesmos pontos cantados, seriam os resultados de efeitos maravilhosos, seria uma sinfonia perfeita de vibrações harmoniosas, cujas conseqüências, para os filhos da terra, seriam surpreendentes e repletas de benefícios; devemos trabalhar para o progresso da Umbanda, mas de uma Umbanda como deve ser: isenta de materialidade, de ignorância, de atraso, de práticas condenadas pelo bom senso. Deve ser pura, elevada e evolucionista. Quanto se atinge um certo grau de progresso espiritual, não é admissível retroagir.”

Vamos apenas fazer uma ressalva própria, nada tem a ver com o estilo de Alexandre Cumino, que prima por ser apenas um historiador perfeito. Lourenço Braga escreveu inspiradamente, mas no entanto, quando delineou as Sete linhas por eles estudadas, já diferenciou-se de Leal de Souza (quem mais próximo estava do Caboclo das Sete Encruzilhadas e de Zélio), e inseriu a LINHA DO ORIENTE, enquanto eu também juntou em uma única linha a Linha de Santo com a Linha de Oxalá…, e colocou todos os Exus na Lei da Quimbanda. Porém, nada somos, em fomentar comentários menos bons ou contraditórios, e ficaremos neste tema por aqui.
Sobre Tancredo e Byron, da Umbanda Omolokô temos a oportunidade de ler transcritos seus, primorosos, como a lenda da origem da Pemba e seu uso mágico, e outras histórias contadas de forma leve e fácil entendimento.
Ainda sobre o recente aumento de adeptos à religião de Umbanda, Alexandre Cumino ainda cita reedições de Pai Ronaldo Linares, Diamantino Trindade, Wagner Veneziani Costa, Robson Pinheiro, Norberto Peixoto, Leni Saviski, Iassan Ayporê Pery, entre outros.
Voltando no tempo, mostra um capitulo somente com as pesquisas dos cientistas sociais ao longo dos anos, como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Roger Bastide, Cândido Procópio, Diana Brown, Renato Ortis e outros, com muitas páginas escritas com seus pensamentos.
Para finalizar estas palavras, que espero sejam benéficas ao autor, porque todo o livro, cada pagina dele, me fez bem, me fez pensar, gostaria de chamar atenção para a coragem demonstrada por Alexandre Cumino no término do livro, no capítulo chamado “Crítica de fora”, onde coloca o pensamento exato dos cientistas sociais, e inicia com uma crítica severa do espírito Ramatis no livro “Missão do Espiritismo”. Mas este mesmo Ramatis, psicografado na época por Hercílio Maes, que de certa forma é irreconhecível para quem hoje lê suas obras através de Norberto Peixoto, no meio da crítica ferrenha, eis que Cumino acha uma frase fenomenal, intensa e verdadeira, com a qual gostaria também de fechar este texto, antes desejando muita Luz e Paz a todos.

“Indubitavelmente, a Umbanda, como seita, ainda não passa de uma aspiração religiosa, mas buscando sinceramente uma forma de elevada representação no mundo. Não apresenta uma unidade doutrinária e ritualística conveniente, porque todo “terreiro” adota um modo particular de operar(…).
Apesar dessa aparência doutrinária heterogênea, existe uma estrutura básica e fundamental que sustenta a integridade da Umbanda, assim como um edifício sob a mais flagrante anarquia dos seus moradores mantém-se indestrutível pela garantia do arcabouço de aço!
Da mesma forma, o edifício da Umbanda, na Terra, continua indeformável em suas “linhas mestras””. (grifos nossos)

Alex de Oxóssi

Saiba o que é Cosmovisão

 
Todo ser humano possui uma cosmovisão. Talvez você já tenha lido esta palavra em algum lugar ou mesmo ouvido algo sobre o assunto, mas não tem a menor idéia do significado deste termo. Mas saiba que mesmo assim, mesmo sem saber o que é isso, você possui uma cosmovisão.
Aquilo que cada pessoa é, o que defende, o que vive, é resultado da cosmovisão que permeia sua vida. Em nosso caso específico, vivemos de acordo com a Cosmovisão Cristã (um desdobramento da Cosmovisão Teísta). Como a humanidade é diversificada ao extremo, nos mais distintos aspectos, existe uma gama muito variada de cosmovisões.
Para todo e qualquer cristão ser mais eficiente no cumprir da Grande Comissão (Mt 28.19-20), é importante conhecer as premissas que caracterizam e diferenciam as variadas cosmovisões existentes. Para aquele que enxerga na apologética uma ferramenta útil para a propagação do Evangelho, o discernimento das cosmovisões é essencial.
Empresto as palavras de um grande teólogo e apologista quanto à definição do termo cosmovisão:
“Modo pelo qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. A palavra alemã é weltanschau-ung, que significa um ‘mundo e uma visão da vida’, ou ‘um paradigma’. É a estrutura por meio da qual a pessoa entende os dados da vida. Uma cosmovisão influencia muito a maneira em que a pessoa vê Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.
Na medida que nos aprofundarmos neste tema, vamos compreender duas coisas básicas:
1) Cosmovisões distintas existem, mas não é possível concordar coerentemente com as premissas centrais de duas ou mais cosmovisões;
2) Cosmovisão é como óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualiza-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.
Existem sete cosmovisões básicas; são sete matrizes das quais as demais formas de enxergar o todo derivam: Teísmo, Deísmo, Ateísmo, Panteísmo, Panenteísmo, Teísmo Finito e Politeísmo. Com exceção da relação muito próxima entre o Panteísmo e Politeísmo, não há compatibilidade entre as demais cosmovisões. Veja um pouco de cada uma na tabela abaixo:

Sistema
Cosmovisão
Expresso no:
Teísmo
Um Deus infinito e pessoal existe além do e no universo; Criou todas as coisas e sustenta tudo de modo sobrenatural.
Judaísmo; Islamismo e Cristianismo.
Deísmo
Deus está além do universo, mas não nele. Defende uma visão naturalista de mundo, assim Deus não age sobrenaturalmente naquilo que criou.
Pensamento de Voltaire, Thomas Jefferson e Thomas Paine.
Ateísmo
Não existe nenhum Deus além do ou no universo. Afirma que o universo físico é tudo que existe. Tudo é matéria auto-suficiente.
Pensamento de Karl Marx, Frederich Nietzsche e Richard Dawkins.
Panteísmo
Deus é o todo/universo. Não há um criador distinto, criador e criação são a mesma realidade. O universo é Deus, a matéria é Deus, as pessoas o são. Tudo é Deus.
Certas formas de hinduísmo, Zen-Budismo e Ciência Cristã.
Panenteísmo
Deus está no universo, como a mente está no corpo. O universo é o ‘corpo’ de Deus, seu pólo real e tangível. O outro pólo está além deste plano.
Pensamento de Alfred Whitehead e Charles Hartshorne.
Teísmo finito
Existe um Deus finito além do e no universo. Deus é limitado em natureza e poder. Aceitam a criação, mas negam a intervenção.
Pensamento de John Stuart Mill, William James e Peter Bertocci.
Politeísmo
Muitos deuses existem além do mundo e nele. Tais deuses influenciam a vida das pessoas. Naga qualquer Deus infinito.
Gregos e romanos antigos, mórmons e neopagãos (wicca).
Este pequeno texto é apenas uma introdução, uma proposta para estudo.

Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. 

Toda honra e glória ao Senhor!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Orientações Mediúnicas Dentro da Umbanda


 
São várias as qualidades que sustentam o médium em sua caminhada mediúnica. Mas uma das mais importantes é a forma como o médium a conduz, a exerce dentro do terreiro e em sua vida de modo geral. Um exemplo que podemos dar é a "educação mediúnica", que exige dedicação, responsabilidade, comprometimento, estudo e paciência (tempo de desenvolvimento, que varia de médium para médium). O desenvolvimento mediúnico não acontece de um dia para outro, de uma hora para outra, por isso a educação mediúnica se faz necessária para que o médium possa se conhecer, conhecer a sua mediunidade, a forma de relacionamento e chegada de seus guias, a irradiação de seus Orixás na vinda de seus falangeiros, as diferenciações posteriormente. Deve sempre procurar saber os porquês de cada obrigação, oferenda trabalho etc. Buscando o entendimento da relação entre sua mediunidade e esses fundamentos, e não ficar alheio ao que será feito com ele.
Ter boa vontade no que faz, constitui a base do convívio entre os médiuns dentro do terreiro. Estar sempre de coração aberto a suas entidades e para o trabalho mediúnico dentro da Umbanda. O médium que vai para uma sessão de má-vontade, inseguro, arrogante, prepotente, de mal-humor, só faz mal a si e prejudica a corrente mediúnica, atraindo kiumbas e obsessores para perto dele, afastando seus guias, contribuindo apenas para a quebra dessa corrente. Se o médium não está bem para o exercício mediúnico, está fraco ou "carregado", este deve permanecer na assistência e buscar ajuda na força dos guias da casa para re-equilibrá-lo. Isso não denota fraqueza do médium ou de seus guias, mas sim responsabilidade e reconhecimento de suas limitações, na escalada de seus desenvolvimento. Sabendo a hora de ajudar, e a hora de ser ajudado, pois ser médium não quer dizer que se é um "super-homem".
Assim, cada um deve reconhecer suas limitações dentro de seu desenvolvimento. O médium vaidoso comporta-se como dono da verdade. Recusa-se, sistematicamente, a ouvir críticas, advertências e conselhos. Acha que tudo pode e que tudo sabe, não ouvindo o que os guias dos mais velhos e do dirigente da casa tem a dizer. É um médium que, mais cedo ou mais tarde, atrairá para si, os kiumbas e obsessores que se alimentam de pensamentos negativos, arrogantes e vaidosos e, se o médium não muda a sua postura e o seu mental, afastará seus guias, e, conseqüentemente, acabara saindo da corrente do terreiro por causar prejuízo e confusão, ou será convidado a se retirar. O médium deve ter em mente que casa entidade que ele recebe têm sua própria personalidade. Assim, características diferentes dele sempre irão existir, ele não deve se retrair ou se prender por isso, mas deixar que a entrega seja total, pois a entidade responsável, saberá até onde pode ir dentro de suas características, sem, contudo, colocar o médium em ridículo. Dá mesma forma, o médium não deve se fazer pela entidade, não deve deixar o animismo interior se fazer por ele. Se não está sentindo nada, não deve fazer um teatro e se colocar como a entidade, muito menos, achar que arrepios, falar mal das pessoas, das coisas alheias é um prazer tão sutil e sedutor - algo parecido com whisky, gin ou cocaína - que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente. Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras. Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.
Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades. Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano. Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra. Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel. Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio. São enfermos em demorado processo de reajuste. Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.
Pense nisso! Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas. Evitemos a censura.
A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno. Se desejarmos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.
Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.
Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina. Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, "a boca fala do que está cheio o coração". 
Pense, Reflita, Medite...

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Ouça os Pontos da Linha de Esquerda da Umbanda

Luz Crística

"Estudo, requer meditação. A meditação leva a conclusões. E as conclusões fazem com que as pessoas modifiquem os seus hábitos e suas atitudes" – Dr. Hermann (Espírito) por Altivo Pamphiro (Médium)

Positivismo

Tal como são nossos pensamentos é nossa consciência: e tal como é nossa consciência, é nossa vida.

Se plantarmos uma semente de pensamento limpo e positivo e nos concentrarmos nele, damos a ele energia, tal como o sol dá energia para uma semente na terra. E tal como a semente na terra acorda, move-se e começa a crescer, os pensamentos nos quais nos concentramos acordam, movem-se e começam a crescer.

Então, vamos semear pensamentos positivos.

A cada manhã, antes de começarmos a jornada de nosso dia, sentemo-nos em silêncio e semeemos a semente da paz.

Paz é harmonia e equilíbrio. Paz é liberdade - liberdade do peso da negatividade e do desperdício. Deixemos que a paz encontre sua morada dentro de nós. A paz é a nossa força original, nossa eterna tranquilidade de ser.]

Permita que seu primeiro pensamento do dia seja de paz. Plante essa semente.

Regue-a com atenção e você atingirá a calma.

Por Antony Strano

Obras Básicas da Doutrina Espírita - Pentateuco Espírita

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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